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Oportunidade única para novos escritores!

sexta-feira, março 11th, 2011
Uma oportunidade única para os escritores: um sábado inteiro descobrindo as técnicas para tornar seu livro perfeito!

Palestra em português – vagas limitadas!

James McSill é diretor da McSill Ltd, Londres, consultor anglo-brasileiro em livros e histórias de ficção, um dos mais bem sucedidos assessores literários internacionais. Saiba mais: www.mcsill.com
Programação do evento:

08h30 às 09h00 – Recepção / Welcome coffee
09h00 às 12h30 – Palestra
12h30 às 13h45 – Intervalo
13h45 às 16h00 – Palestra
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h45 – Palestra / Encerramento
17h45 às 18h00 – Entrega dos certificados

Inclui 6 promoções imperdíveis

1. A cada intervalo sortearemos “uma hora de consultoria individual online com James McSill” (para que o autor venha a experimentar as sessões de assessoria que mudaram a vida de centenas de autores) [valor do prêmio: 175€]

2. A cada intervalo, também sortearemos DOIS textos – introduções, aberturas – que James McSill “chibatará” gratuitamente para o autor durante o mês de maio. [valor do prêmio: 75€]

3. Três “vouchers” de R$ 500 de desconto para maratona literária “Write in São Paulo”, que ocorrerá de 20 a 23 de abril, serão sorteados durante a tarde (o “voucher” poderá ser repassado a outra pessoa pelo autor premiado se este não puder comparecer ao evento).

4. Entre as 8h00 e 9h00 da manhã, durante a hora do almoço e ao fim do evento, James McSill atenderá autores que queiram deixar-lhe os manuscritos (devem fazê-lo em formato eletrônico – em um CD ou pendrive). [valor do prêmio: $200, se numa conferência nos EUA]

5. Dentre esses autores, James McSill selecionará quatro que serão representados pela McSill Ltd London por um ano. Destes quatro, dois terão, além do benefício da representação pela McSill Ltd na Europa, a representação pelo Visionaries of Light (leia-se Mardeene Mitchell) nos EUA (os textos deverão ser enviados no mês de maio, em versões inglesa, portuguesa e espanhola).

6. O manuscrito entre os quatro (publicado ou não), que James McSill considerar com mais potencial, terá a sua recomendação pessoal para publicação no Brasil, Espanha, Portugal e EUA (valerá contos, crônicas e poesias).

Local:

Hotel Intercontinental (www.intercontinental.com/saopaulo)
Alameda Santos, 1123
São Paulo – SP
CEP: 01419-001

Condições de pagamento:

R$ 390,00
Em até 3x sem juros no cartão de crédito ou à vista no boleto bancário.

- Está incluso no preço welcome coffee, coffee break e certificado;
- Estacionamento e almoço não inclusos.

PREENCHA O FORMULÁRIO EM:

http://www.novoseculo.com.br/questionario_evento.asp

Asfixa

sábado, janeiro 22nd, 2011

Começou aos poucos, quase sem ser notado. As crianças foram as primeiras a sentir os efeitos, parando no meio das brincadeiras de pega-pega, esquecendo o futebol pela metade, preferindo montar quebra-cabeças à correria. Depois o boato tomou as conversas em bares, as janelas leva-e-traz das faladeiras, os programas de entrevistas, até virar notícia oficial, grave em seu chamado de cadeia nacional, transmitida a cada povo do planeta por seu próprio governante.

Não se sabia a origem do fenômeno. Nos botecos, diziam que a Terra atravessava uma região do espaço ocupada por elementos de anti-matéria que sugavam a atmosfera. As tevês culpavam os raios solares, a camada de ozônio, o El Niño. Saltando de janela em janela, entre fofocas e ladainhas, um versículo do Apocalipse ecoava: “e o sétimo anjo derramou sua taça pelos ares”. Não havia consenso, mas o fato é que a Terra, como um balão cheio de minúsculos furos, vazava gases para o cosmos.

O mundo estava perdendo ar.

Há menos de um mês, João se divertia com as piadas de narigudos fungando porções extras de oxigênio, ou dava opiniões em rodas animadas sobre qual era a quantidade mínima do gás precioso para que o homem pudesse sobreviver fazendo sexo todo dia. Havia sim as piadas, mas João reconhecia, modulado nos timbres das vozes, escondido permeando risos, o inconfundível tom do medo.

A cada dia o ar se tornava mais rarefeito, e não se descobria a causa.

Com o corpo afundado numa cadeira na varanda de seu chalé à beira-mar, comprado com os anos de salário como mergulhador, João refletia: havia trabalhado em plataformas de petróleo, consertando tubos e juntas a grandes profundidades. Aposentara-se imaginando uma velhice tranquila, apesar de solitária, já que as longas estadas em alto-mar não conciliavam com uma esposa fiel. Revivia pelas imagens em sua memória as centenas de mergulhos realizados na juventude. Relembrava os rostos que vira atrás das máscaras quando, mal calculado, o oxigênio nos cilindros subitamente chegava ao fim ainda nas profundezas. Vira olhos arregalados, primeiro de espanto, depois de terror. Vira as mãos cegas, desesperadas, procurando ar onde não havia, tentando agarrar o companheiro e arrancar de sua boca o regulador, para então se cravarem na própria garganta e aceitarem o destino. Vira-os flutuarem sem vida, asfixiados. Ele mesmo já estivera em situação semelhante, os pulmões colados, a cabeça explodindo, o coração desorientado. Só se salvara por estar mais perto da superfície, onde outro mergulhador pôde compartilhar seu gás; lá embaixo a reserva seria insuficiente, e tentar salvar um amigo seria condenar dois à morte.

João notou que as crianças haviam desaparecido e, com elas, as brincadeiras. Ninguém se apressava mais; não havia fôlego. A rua, antes alegre e barulhenta, agora estava deserta. Não era apenas a falta da gritaria da molecada que deixava a rua quieta. Cachorros já não latiam nem corriam atrás de gatos, estes também desaparecidos. Aves não voavam. O vento, como se precisasse de oxigênio para soprar, tampouco zunia. Os carros e tudo que pudesse poluir a atmosfera vaporosa foram proibidos mundialmente, e o descumprimento desses e outros decretos, sob aplicação marcial, eram punidos com execução sumária. João estava com medo. Não gostava daquele silêncio; fazia-o se lembrar da mudez dos abismos oceânicos.

Levantou-se lentamente, à maneira dos anciãos, e foi à cozinha. Preparou um copo de leite frio e bolachas. Há dois dias o governo também proibira o fogo. Qualquer atividade que se servia da combustão estava suspensa. Os alimentos eram consumidos crus. João não via problemas nisso; preocupava-o mais o momento em que, ou por falta de energia nas máquinas ou pela insuficiência da energia humana, a comida começasse a escassear.

Voltou à varanda, apoiando-se nas paredes, fatigado e zonzo. Impossibilitado de manter-se em pé, jogou-se na cadeira e ligou o rádio, observando o peito subir e descer apenas levemente, como se respirasse pela metade. As transmissões eram raras. Somente os informes do governo cumpriam com a pontualidade, impondo novas sanções ou trazendo notícias da asfixia global. João tinha esperanças de ouvir que o fenômeno era passageiro, que fora descoberta a causa do flagelo, o motivo de a Terra estar se esvaziando de oxigênio. Mas nada; somente notas sombrias: mortes, suicídios, mais um mercado saqueado, famílias presas em grandes edifícios sem ter para onde ir, um pai desesperado por alimentar os filhos, errante após o toque de recolher, fuzilado pela Guarda Nacional. Ao menos ali, no interior, tinham um pouco de comida para dividir; mas o ar – o precioso ar – faltava a todos.

João foi dormir mais cedo. Sonhou que nadava no fundo do mar, sem equipamentos, mas respirava normalmente e se movia ligeiro como os golfinhos. Apesar da escuridão, podia ver os peixes, os corais, abismos e… Luzes! Não as podia identificar, apenas que se aproximavam. Luzes. Aproximando-se. O medo espetou-o como farpa sob as unhas: aquelas luzes eram seus companheiros mergulhadores, mortos e perdidos na imensidão oceânica, as cavidades oculares brilhando como faróis. Cercaram-no e o agarraram pelo pescoço, as mãos mortas se fechando e o estrangulando. João sentiu os olhos arregalarem como um afogado e o ar sumiu de seus pulmões. Acordou com o susto, no breu do quarto, arfando, ainda sem fôlego. Custou a perceber que o sonho se fora, pois também se fora o ar, e ali em sua cama parecia que nadava em apnéia.

Levantou-se para um copo de água. Da janela da cozinha, ouviu alguém chorar. Alegrou-se com aquele som. Mesmo sendo um lamento, era produzido por alguém! Não estava só, afinal! Vinha da casa ao lado. O choro era fraco, de criança. Ouviu gritos de uma mulher; provavelmente a mãe. Pedia socorro, parava, arqueava, pedia de novo. Ninguém respondia.

João vestiu uma camisa, cambaleou pelo quintal e bateu à porta. Lá dentro a mãe se desesperava em ver a criança no berço, rosto azulado, tomada por convulsões. A pobre criatura nascera asmática e o ar lhe fazia mais falta. O pai implorava por ajuda.

O ex-mergulhador possuía um cilindro de oxigênio em casa. Pegou-o e o levou para a criança. Ensinou o uso e, quando disse que ia embora, viu nos olhos da mãe a mesma agonia dos asfixiados; aquela mulher seria capaz de matar pelo cilindro. Mas João não pensava em levar equipamento de volta. Apenas aconselhou parcimônia, pois não havia outros iguais àquele. Voltou se arrastando, seguido por pensamentos desoladores. Em breve, todos estariam da cor do bebê, afogados em plena terra firme.

Os dias amanheciam cada vez mais abafados. Os poucos que se aventuravam na rua não mais andavam, arrastavam-se de quatro. João, de sua cadeira, ria da ironia da vida. A raça humana, que se destacara na evolução por andar sobre duas pernas, inclinava-se e devolvia as mãos ao solo. Movia-se como bichos.

A dor nos pulmões era cruciante, a cabeça girava. Não era como no fundo do mar, que o ar faltava de uma só vez. Ali a coisa ia aos poucos. A morte demorava, como se precisasse de oxigênio para sua manejar sua foice, mas ele sabia que cedo ou tarde ela chegaria. Vez ou outra se ouvia um estampido. Alguém, no mais profundo desespero, antecipava o fim. Pior quando ouvia quatro, cinco tiros: uma família inteira se fora!

João não tinha uma arma.

As transmissões haviam cessado completamente. Nenhuma voz, nenhuma notícia, nada de esperança. O bebê do vizinho estava morto, assim como a mãe. Ninguém mais enterrava seus defuntos. O pai saíra rastejando pela rua e não voltara mais. Os homens agora se moviam sobre o ventre, como répteis. Despediam-se da vida com o rosto ao chão.

João caiu da cadeira, arrastou-se pela rua passando por cima de aves mortas. Rolou o barranco, tossindo, vomitando com esforço, quase desfalecendo. Fincou os dedos na areia da praia, puxando o corpo. Sorriu quando a primeira onda molhou seu rosto. Olhou para os lados e viu cadáveres; o caminho até o mar interrompido pela asfixia. A humanidade, como amante traída pelos ares que a sequestrara das águas, tateava o retorno ao berço Paleozóico.

Continuou a se arrastar até que as ondas lhe submergissem a cabeça.

João engoliu o primeiro gole, o segundo, o terceiro, enquanto procurava pelos olhos brilhantes dos afogados e pelas mãos que fechariam de vez sua garganta.

Conto “Terra do Nunca” – Publicado na Antologia “SOLARIUM – Contos de Ficção Científica”.

quarta-feira, outubro 27th, 2010

Terra do Nunca

Penso, logo existo.

Espantoso como uma frase dita tão próxima ao berço da humanidade, enquanto ainda sugávamos o leite fresco dos seios de nossa fortuna, pôde relevar tão perfeitamente a condição futura de nossa evolução. Hoje, próximos talvez do quarto milênio – já que as datas só servem à vaidade e aos sistemas –, somos unicamente isto: pensamento! E, tal como decreta o primitivo aforismo, acreditamos ainda existir. Por isso, raros irmãos, não voltem para casa! Não há mais casa! Não voltem para casa, por que não mais existimos, somos apenas delírio.

A natureza humana é predatória. Mastigamos animais e plantas, e assim fizemos por um longo período da história. Devoramos toda a vida habitante deste mundo, corroemos o planeta, e após esgotarmos tudo o que nos envolvia, passamos a consumir a nós mesmos. E até isso fizemos com a violência insana dos vírus – ah… até os antigos vírus foram extintos, uma vez que sobraram apenas as idéias para serem infectadas.

Explicarei com mais detalhes, mas o principal eu já lhes disse: não voltem! Vocês correm perigo retornando ao seu antigo lar.

A qualquer momento eles poderão entrar aqui e interromper esta transmissão. Serei morto, sem dúvida. Mas não me importo. Já me propago pelos circuitos desta máquina há tempo demais; centenas de anos! Minhas memórias pedem descanso.

Desde que partiram rumo à constelação de Ophiuchus as coisas aqui na Terra pioraram. O que para vocês – viajando à velocidade sub lúminica de 0,98c – representaram poucas e solitárias décadas, para nós, que continuamos a navegar neste planeta agarrados ao braço de Órion, esses longos séculos significaram a extinção.

Sim, estamos extintos, ao menos como vocês nos conheciam.

Aguardávamos com absoluta ansiedade as notícias de nossos cosmonautas: a mensagem impressa na pequena folha verde, trazida pelo bico da pomba salvadora ao personagem Noé, anunciando que havia ainda um novo mundo para ser habitado. O planeta que vocês exploraram num dos sistemas solares de Ophiuchus não foi o único com a probabilidade de receber nossa debilitada raça. Astrofísicos apontaram inúmeros outros, e a cada um deles foi lançada uma expedição. Enviamos ao todo cento e quarenta espaçonaves para explorar essas novas terras. Nosso desespero era tão grande que humanos foram enviados para constelações as quais a distância só permitiria viagem de ida, mesmo usando os suspensores de vida. Suicídios embrulhados como sacrifícios. Mas, como disse, estávamos desesperados.

Devem se lembrar que quando deixaram para trás a gravidade de nosso Sol, as condições de vida na Terra já se tornavam precárias, mas este pequeno astro ainda nos sustentava como uma mãe a um filho assassino… Mas ainda assim um filho.

Aprendemos sobre a clonagem, aprimoramos a criação do artificial, tiramos dos contos de fadas o elixir da longa vida e o inserimos em ampolas, reescrevemos a ciência, mas deixamos fechados, esquecidos nas bibliotecas, os tratados filosóficos. A moral perdeu-se na poeira das estantes. Toda a tecnologia não foi suficiente ao apetite dos egos, e, famintos, com barrigas e temperança vazias, devoramos até a derradeira flor do planeta.

Foi um longo caminho antes do último perfume evolar-se deste antigo jardim. Tivemos que nos adaptar à escassez de comida, de água, de ar. Como não tínhamos como abastecer nossos corpos de potência, fomos aos poucos cessando os movimentos. Gastávamos o mínimo de energia possível. Máquinas nos conduziam, satisfaziam nosso cio, sonhavam nossos sonhos. O corpo dos homens definhava à medida que a Terra morria. Aprendemos rapidamente como manter as principais funções orgânicas e continuar vivendo com o mínimo que extraíamos do solo. Mas ainda conservávamos a filosofia na estante.

Ah, raros irmão! Como foi negro o dia que recebemos sua mensagem informando que o planeta ao qual exploravam era estéril! Apelidamo-lo de Terra-do-Nunca, alusão a um velho romance sobre o viver eternamente os frescos anos da infância. Era promissor, o tal planeta, escondido em Ophiuchus, a constelação banida do zodíaco e pronta a recuperar seu lugar, se para lá nos mudássemos, transformando todas as outras num emaranhado de estrelas sem contornos e metáforas.

A amarga mensagem! A Terra-do-Nunca era estéril!

Não houve um só homem que não sentisse o peso da extinção esmagando-lhe as carnes envelhecidas, pois sem recursos para o desenvolvimento de um corpo jovem, já não mais nos reproduzíamos. Raros irmãos, quanto desespero!

Tal como a mensagem que enviaram, de igual teor recebemos todas as outras. Todas as centenas de outras! Apesar das condições teóricas para o sustento da vida, todos os cento e quarenta planetas visitados eram estéreis! Nenhuma estação espacial foi capaz de transformar o gelo alienígena em sopa vital. Não conseguimos recriar em astros mais próximos a divina condição que nos fez brotar! Vejam, já falo em condição divina! Pois sim, agora percebemos. Choramos a preciosa jóia azul que fizemos morrer. Não há outra como ela no cosmos ao nosso alcance, agora sabemos. Divina!  

Ouço o alarme acusando a aproximação de sete esferas. Eles já detectaram esta transmissão. Vêm para me levar. Preciso resumir a história!

Com o passar dos anos ficou evidente que não teríamos outro lugar para ir, mas também já era claro que a Terra dava seus últimos suspiros; sua morte era irreversível. A única energia que iríamos dispor era a do sol e dos átomos. Teríamos que desenvolver rapidamente maneiras de sustentar a vida apenas com esses recursos. E assim o fizemos. Eliminamos uma a uma todas as partes do corpo que necessitavam de vida para existir. Sumimos com os braços, as pernas, as formas. Foi difícil abandonar o coração, onde acreditávamos ainda viver o melhor de nossa raça, mas foi ainda mais doído renunciar o sexo. Em poucas décadas éramos apenas cérebros dirigindo máquinas, mas até aquelas massas extraordinárias necessitavam de alguma substância orgânica para sua manutenção. Aprendemos então a capturar as funções e os algoritmos das sinapses, até que finalmente conseguimos!

Sim, conseguimos! 

Hoje, raros irmãos, os remanescentes da eleita espécie dos humanos, hoje somos apenas pensamento.

Isso mesmo!

Repito para que não culpem radiações cósmicas pela má compreensão: somos apenas pensamento!

Descobrimos os mecanismos da mente, destilamos o que considerávamos nossos espíritos e os acondicionamos em esferas inorgânicas, de onde conduzimos os aparelhos que transportam nosso pensamento imortal.

Os alarmes indicam que eles estão a um microtempo daqui. Quero terminar esta narrativa reforçando o aviso: não voltem para casa!     

 Como vocês não sobreviverão aqui, pois não há mais nem o precioso oxigênio, eles pretendem matá-los assim que aportarem à Terra. Querem aproveitar a condição de suas células ainda novas, fortes, não debilitadas pelas condições extremas que seus corpos encontrarão neste planeta morto. Querem tirar-lhes as células e delas recriar árvores, rios, trovões. Vocês são a única matéria orgânica disponível nesta parte do universo, e começo a acreditar que talvez em todo ele.

Eles querem replantar vocês!

Discordei veementemente desse propósito, mas disseram que foi exatamente assim que tudo começou, com células se transformando em bactérias, depois em organismos e então em homens. A vida explodiu de apenas um núcleo improvável. Assim querem eles reabitar o planeta. O velho mito de Adão povoando o Éden! Mas nos sabemos como acabou a história do primeiro homem!

A princípio vocês me julgarão um louco narrando acontecimentos absurdos demais para serem reais. Depois pensarão que caso seja tudo a mais pura verdade, ouviram sua sentença de morte, pois sem a Terra para recebê-los e sem lugar para ir morrerão de qualquer jeito. E assim irão ponderar: por que não sacrificar nossa carne para repovoar o mundo? Quanta glória, dirão! Talvez sejam lembrados como deuses pelos futuros insetos e fungos. Mas eu digo que não! Reflitam! Aqui não há mais bondade. Esta foi perdida junto com alguma parte de nosso corpo… Aqui só há mortos esperando serem plantados na terra, calculando renascerem como brotos que vicejam de sementes apodrecidas.

Fujam, raros irmãos!

Recriar todo o mundo através das células do homem que já fomos, reorganizando-o com os pensamentos em que hoje nos transformamos, isso é conceber o inferno!

Fujam, mesmo que para a morte! De qualquer maneira vocês ainda têm algo de precioso. Algo que pode, em seu último alento, abrir-lhes a porta do verdadeiro Éden. Esse elemento que ainda possuem é capaz de alterar o curso dos fatos, seja pela física quântica, seja pela fé. Vocês ainda têm, emaranhada nas fibras da vida que permeia seus corpos, a esperança.

Vocês, raros irmãos, sentem, e, assim, creio eu que realmente existem.

Dois novos trabalhos

domingo, julho 25th, 2010

Onironautas,

Para quem curte um bom conto, estou selecionando textos para duas novas antologias:

“UNIVERSO PAULISTANO III”  e  ”HISTÓRIAS ENVENENADAS”

No Universo Paulistano, os autores mostrarão sua visão sobre a cidade. Contos, crônicas e poesias que falam da vida, das relações, do amor, da miríade de povos que formam a alma de Sampa.

Em Histórias Envenenadas, os autores vão revisitar os contos de fadas, e extrair deles elementos inéditos, novas visões sobre dilemas existenciais, como todo bom conto de fadas.

UPIII

Universo Paulistano III

histórias envenenadas

Histórias Envenenadas

Write in Atlanta

terça-feira, maio 25th, 2010

WIA

WRITE the WORLD

in ATLANTA

Where Writers Come Together with International Publishing & Film Professionals

Writing and Selling Fiction & Nonfiction

in the U.S. & Abroad

June  11, 12, 13,  2010

 

Writing is art, publishing is business.

 

Amigos onironautas e escritores, em junho um evento imperdível em Atlanta, que tem como um dos organizadores meu amigo e tutor James McSill!!!!

 

Eu estarei lá, ouvindo e trocando experiências com um grupo especial, um grupo de feras e estrelas do mundo editorial americano, europeu e brasileiro!

Lá estaremos entre os melhores!

Confiram o nível dos convidados: 

Ken Atchity,  Peter Bowerman,  Sue Tucker, Carmen Agra Deedy, Luis Giffoni, Mark Victor Hansen, Richard Krevolin,  James McSill, Mardeene Mitchell, Marisa Moura, Paula Munier, Adoración Couñago, Vanda Teixeira.

 

Confira o currículo de cada uma dessas feras no site www.write-the-world.com e vamos nos encontrar em Atlanta.

Universo Paulistano II

terça-feira, outubro 20th, 2009

Caro leitor,

Quer publicar um conto no UNIVERSO PAULISTANO – Volume II?

Contos, crônicas e poemas de uma cidade que nunca dorme

Sinopse: São Paulo é assim: quando cremos já conhecer todas as ruas, dobramos uma nova esquina. Se dormimos saciados de seus sabores, amanhecemos com renovado apetite. Para cada história contada outra nasce, ecoa em nossos ouvidos e ressoa em nossas almas. Assim é São Paulo! Como qualquer universo, há sempre mais para experimentar. O segundo volume da série UNIVERSO PAULISTANO traz novas esquinas e sabores, descobertos e vividos por escritores apaixonados pela metrópole.

Data de lançamento do livro: 30 de janeiro de 2010

Organização: Chico Anes & Carlos Francisco de Morais

Veja como publicar seu conto no site www.andross.com.br

CAPA UPII