Livros
Pirapato – O menino sem alma (romance)
Tem um menino clonado uma alma imortal?
Pirapato é a história desse menino.
Gerado num laboratório alquímico, ao completar dezesseis anos Pirapato descobre sua origem. Passa então a questionar sua natureza, sobretudo a natureza de sua alma. Que saber se um homem artificial, por não ser a forma natural de criação estabelecida por Deus, tem ou não uma alma. E se não tiver? Sem alma não há a esperança de vida após a morte, somente a escuridão final, o terrível e eterno fim.
Pirapato decide partir em busca de respostas e acaba confrontando Corax, um alquimista negro e principal conselheiro do rei de Cávea, o reino fictício onde a trama acontece. É o momento quando entenderá a verdade sobre a natureza do homem e de sua alma imortal.
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A Peste (conto) – Publicado na Antologia Anno Domini – Manuscritos Medievais

“Molhei os lábios do bebê com água fresca e percebi nódoas escuras na pele, sinal infalível da presença do mal.
A criança estava condenada. Enquanto limpava as chagas, uma agitação nos lençóis chamou minha atenção.
Levantei o pano imundo e uma ratazana negra pulou em meu peito, jogando-me ao chão.”
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A Mosca (conto) – Publicado na Antologia Caminhos do Medo
“Antes de vestir a camisa, notei uma mancha no ombro.
Cheguei mais perto do espelho e lá estava a mosca.
Tatuada à perfeição.
É mais um brinde da casa, disse a mulher, sorrindo com a língua azul para fora. “
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Labirinto Branco (conto) – Publicado na Antologia Réquiem para o Natal
“Minha mãe fechou a propriedade e se mudou.
Vivemos juntas até o início deste ano, quando a demência a levou.
Antes de morrer, em delírio, contou-me pormenores da suposta maldição.
Pobre mulher! Aquela véspera de Natal nunca a abandonou.
Visitou-a em milhares de pesadelos, verbalizados no profundo da noite.
Eu ouvi todos eles.
O Labirinto também levou mamãe; só que aos poucos.”
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A Queda (conto) – Publicado na Antologia Universo Paulistano
“Eram seis da manhã quando Anastácio despencou do vigésimo andar da construção.
Explodiu no asfalto, espalhando seus pedaços pela avenida, para o horror de quem madrugava na Paulista.
Creio que ele ainda esteja lá, em exibição, até a perícia concluir o trabalho — você sabe o quanto esses procedimentos demoram.
Com o calor que está fazendo é bem provável que o sangue, entranhado nos poros da rua, já tenha secado, e que vejamos a mancha de Anastácio por um bom tempo.”
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A Terra do Nunca (conto) – Publicado na Antologia Solarium – Ficção Científica

“Por isso, raros irmãos, não voltem para casa.
Não há mais casa!
E digo-lhes, um pensamento descarnado é a afirmação das antigas histórias de fantasmas, a maldade condensada e sem substância.
Não voltem para casa, porque não mais existimos;
somos apenas delírio.”
Roleta Russa (conto)
“Vivemos como formigas. Movemo-nos freneticamente dentro do formigueiro, sem saber que lá fora um pé tapa o sol e desce sobre nossas cabeças operárias, acabando com todo o ir e vir aqui embaixo. Eu sou esse pé.”
Asfixia (conto) – Publicado na Antologia Dias Contados – Ficção Científica
“Não se sabia a origem do fenômeno.
Nos botecos, diziam que a Terra atravessava uma região do espaço ocupada por elementos de matéria escura que sugavam a atmosfera.
As tevês culpavam os raios solares, a camada de ozônio, o El Niño.
Saltando de janela em janela, entre fofocas e ladainhas, um versículo do Apocalipse ecoava: “e o sétimo anjo derramou sua taça pelos ares”.
Não havia consenso, mas o fato é que a Terra, como um balão cheio de minúsculos furos, vazava gases para o cosmos. O mundo estava perdendo ar.”
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Organizador da Antologia Universo Paulistano II
Maria Louca (conto)
“Maria Louca só foi encontrada três dias depois de morta, quando os moradores deram por sua falta. Igualzinho a uma árvore que foi cortada, sabe? Você sente que a praça está diferente, faltando algo, mas como não é nada de íntima importância, esquece e passa a outros pensamentos, até que um dia, com um estalo na memória, vem à cabeça o que não está mais em seu lugar: cadê a Maria Louca?”